8 de março – Reflexões sobre Gênero, Poder e Controle Externo

WhatsApp Image 2025 03 07 at 16.46.12

O Dia Internacional da Mulher não é apenas uma data de celebração, mas um marco para refletirmos sobre as assimetrias de gênero que persistem nas instituições públicas e nos espaços de poder. Como apontam Nancy Fraser (2001) e Anne Phillips (1991), a luta feminina não se restringe à busca por reconhecimento simbólico, mas exige transformações estruturais que garantam uma distribuição equitativa de recursos e oportunidades. 

No âmbito do controle externo, essa discussão se faz urgente, pois a presença feminina no Ministério Público de Contas e em outras instâncias de fiscalização reflete avanços, mas ainda precisa ser ampliada.

A sutil presença de mulheres em espaços de decisão política e institucional não decorre de uma suposta falta de interesse, mas de barreiras estruturais que dificultam seu acesso e permanência. Como destaca Flávia Biroli (2018), a divisão sexual do trabalho e a sobrecarga de responsabilidades ainda recaem desproporcionalmente sobre as mulheres, limitando sua atuação em cargos estratégicos. No controle externo, onde a transparência e a responsabilização são pilares fundamentais, garantir a equidade de gênero não é apenas uma questão de justiça social, mas de fortalecimento da democracia e da eficiência institucional.

Apesar dessas barreiras, as mulheres têm ocupado e transformado os espaços de fiscalização e controle, trazendo novas perspectivas e ampliando o olhar sobre políticas públicas e accountability. A experiência feminina nesses ambientes contribui para uma abordagem mais sensível e abrangente da Administração Pública, reconhecendo que as políticas e decisões orçamentárias afetam diferentes grupos de maneira desigual.

Por fim, a Ampcon, por meio de seu Presidente, Marcílio Barenco, e de seu Vice-Presidente, Rodrigo Medeiros, deseja um Feliz Dia da Mulher a todas aquelas que, com sua coragem, competência e comprometimento, contribuem diariamente para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, especialmente as Procuradoras, servidoras e colaboradoras do MPC brasileiro.  Que essa data não seja apenas um momento de homenagem, mas um chamado à ação para a construção de instituições verdadeiramente inclusivas e representativas. 

 

Referências
BIROLI, Flávia. Gênero e desigualdades: limites da democracia no Brasil. Boitempo, 2018.
FRASER, Nancy. Justice Interruptus: Critical Reflections on the "Postsocialist" Condition. Routledge, 2001.
PHILLIPS, Anne. Engendering Democracy. Penn State Press, 1991.
Imprimir