Presidente da Ampcon participa de encontro em Belo Horizonte sobre os desafios contemporâneos da educação jurídica

Presidente da Ampcon participa de encontro em Belo Horizonte sobre os desafios contemporâneos da educação jurídica

Na última quinta-feira (5/2), o Presidente da Associação Nacional do Ministério Público de Contas, Marcílio Barenco – Procurador-Geral do Ministério Público de Contas do Estado de Minas Gerais –, participou do Encontro Lideranças de Minas Gerais, realizado em Belo Horizonte, que teve como eixo central a reflexão sobre os desafios da educação jurídica no cenário contemporâneo. 

Na ocasião, Barenco contribuiu para o debate a partir da perspectiva institucional do controle externo, abordando temas estratégicos como a fossilizaçãodas Constituições e a superação de precedentes judiciais, os direitos da tecnologia e as tecnologias aplicadas ao Direito, bem como a expansão dos métodos consensuais de resolução de conflitos no âmbito da Administração Pública e do sistema de Justiça. 

A atividade, organizada pela Fundação Getulio Vargas, reuniu representantes de instituições dos três Poderes, em âmbito estadual e municipal, em formato de exposições breves e diálogo qualificado entre as lideranças convidadas. A programação contou ainda com a participação da Assessora da Procuradoria-Geral do MPC-MG e Professora da Universidade Federal de Minas Gerais, Maria Tereza Fonseca Dias. 

Educação jurídica em transformação: Constituição viva, inovação tecnológica e consensualidade

Ao abordar os desafios contemporâneos da formação jurídica, o Presidente da Associação destacou a necessidade de repensar os paradigmas tradicionais do ensino do Direito à luz das transformações institucionais, tecnológicas e sociais das últimas décadas.

No campo constitucional, chamou atenção para o risco da chamada “fossilização” das Constituições, fenômeno que ocorre quando a interpretação normativa se torna excessivamente rígida e incapaz de dialogar com as mudanças da realidade. Em um Estado Democrático de Direito, a estabilidade constitucional é um valor essencial, mas não pode significar uma interpretação estática. O desafio contemporâneo consiste em preservar a segurança jurídica sem comprometer a capacidade de atualização hermenêutica, especialmente diante de novos direitos, novas demandas sociais e novos arranjos institucionais.

Nesse contexto, insere-se também o debate sobre precedentes judiciais e sua eventual superação. A consolidação de precedentes qualificados fortalece a coerência do sistema jurídico e a previsibilidade das decisões, elementos fundamentais para a atuação da Administração Pública e dos órgãos de controle. Contudo, a evolução social e tecnológica pode exigir revisões responsáveis e fundamentadas, reforçando a importância de uma formação jurídica que capacite o profissional a compreender não apenas o conteúdo das decisões, mas também seus fundamentos teóricos e institucionais.

Outro eixo central da reflexão foi a relação entre Direito e tecnologia. De um lado, surgem os chamados “direitos da tecnologia”, que envolvem temas como proteção de dados, governança algorítmica, transparência digital e impactos da inteligência artificial sobre garantias fundamentais. De outro, observam-se as tecnologias aplicadas ao Direito, que transformam rotinas administrativas, processos judiciais e mecanismos de fiscalização. Para instituições de controle externo, como o Ministério Público de Contas, o uso estratégico de ferramentas tecnológicas representa oportunidade de aprimorar análises, ampliar a capacidade de monitoramento e fortalecer a atuação preventiva.

Por fim, foi destacada a expansão dos métodos consensuais de resolução de conflitos no âmbito da Administração Pública e do sistema de Justiça. A mediação, a conciliação e outros instrumentos de consensualidade vêm sendo progressivamente incorporados como alternativas eficientes à litigiosidade excessiva. No campo do controle, essa perspectiva dialoga com uma atuação cada vez mais orientada à solução de problemas, à construção de compromissos institucionais e à promoção de resultados efetivos para a sociedade.