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Com apoio da Ampcon, Salvador sediou encontro em que foram discutidos novos caminhos do controle externo

Com apoio da Ampcon, Salvador sediou encontro em que foram discutidos novos caminhos do controle externo
Rodrigo Medeiros, Cristina Andrade Melo e Marcílio Barenco. Acervo pessoal.

Membros da Associação integram programação de evento, que também comemora os 15 anos do MPC-BA


 

Ao completar 15 anos, o Ministério Público de Contas do Estado da Bahia (MPC-BA) promoveu, em Salvador, seminário que reuniu membros e especialistas dos MPCs de todo o país para discutir os rumos do controle externo. Realizado em parceria com o Tribunal de Contas baiano (TCE-BA) e o Instituto Rui Barbosa (IRB), o encontro “Controle Externo em Transformação: 15 anos do MPC-BA” ocorreu nos dias 26 e 27 de março com a finalidade de articular debates em torno de novos instrumentos, critérios de responsabilização e formas de atuação institucional.

A Associação Nacional do Ministério Público de Contas, apoiadora do evento, integrou a programação com participação ativa de seus membros em temas centrais à atuação dos Tribunais de Contas e dos Ministérios Públicos de Contas. O Presidente da Ampcon, Marcílio Barenco (Procurador-Geral do MPC-MG), além de compor o dispositivo de honra, participou do painel dedicado ao consensualismo. 

02 mpc baO dispositivo de honra. Foto: ASCOM | TCE-BA.

Em seu discurso de abertura, o Presidente da Ampcon enalteceu a função dos Procuradores de Contas, explicando que os fiscais da lei possuem, por sua natureza e formação, densidades diferentes de conhecimento, num ambiente tão plural como os Tribunais de Contas. Para Barenco, os procuradores influenciam as políticas públicas e, sobretudo, buscam a responsabilização daqueles que malversam o erário público.  

03 nmpc baMarcílio Barenco durante seu discurso de abertura no Seminário. Foto: ASCOM | TCE-BA.

 Por sua vez, a Procuradora do MPC-MG Cristina Andrade Melo, 1ª Tesoureira da Associação, conduziu painel sobre os novos paradigmas da responsabilidade do gestor público. No mesmo espaço, Rodrigo Medeiros, Vice-Presidente da entidade e Procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU), contribuiu com o debate propondo uma racionalidade de controle orientada pela proporcionalidade e pela vedação de excessos. 

 

PAINEL 2 - “DA CULTURA SANCIONATÓRIA À RACIONALIDADE DO CONTROLE” 

04A mpc baEgon Bockmann Moreira, Cristina Andrade Melo e Rodrigo Medeiros. Foto: ASCOM | TCE-BA.

 

Mediação: Cristina Andrade Melo 

Na condução do painel, a 1ª Tesoureira da Ampcon situou o debate no contexto das transformações recentes do controle externo, destacando a centralidade da responsabilização na atuação cotidiana das instituições. Nesse sentido, explicitou que a imputação de responsabilidade exige atenção à cadeia causal entre o ato e o dano, para evitar injustiças. 

Melo também apontou inflexões promovidas pela Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), que passaram a exigir a consideração das circunstâncias cornetas, dos obstáculos enfrentados pela Administração e das consequências das decisões.

Segundo ela, esse movimento contribui para uma análise que desloca o foco de respostas automáticas para decisões mais contextualizadas. 

 

Exposição: Rodrigo Medeiros 

O Procurador do MPTCU e Vice-Presidente da Ampcon abordou a transformação na atuação do controle externo, destacando a transição de um modelo predominantemente punitivo para uma lógica orientada pela proporcionalidade e pela efetividade das decisões. Segundo ele, a sanção precisa ser compreendida como instrumento, e não como fim, inserido em um ambiente de incentivos que exige previsibilidade e capacidade de indução de condutas. 

Também, ressaltou que a atuação dos órgãos de controle deve calibrar suas respostas à complexidade das situações concretas, considerando impactos, custos e consequências das decisões, de modo a evitar tanto excessos quanto insuficiências. Ao tratar dos efeitos do uso indiscriminado de sanções, alertou para riscos como a insegurança jurídica e a retração dos gestores.  

 

“De fato, as abordagens colaborativas se mostram ligeiramente mais efetivas na superação de problemas estruturais da administração pública e com menos efeitos colaterais. Mas existem situações em que apenas uma abordagem repressiva se mostra mais eficiente. A conclusão é que não existe uma abordagem melhor que a outra, cabendo ao controle buscar a melhor forma de conjugá-las”, ponderou. 

 

Medeiros também destacou o papel da LINDB na consolidação do princípio da proporcionalidade, ao exigir a consideração das circunstâncias concretas e das consequências das decisões. Para ele, dispositivos como o art. 28 contribuem para delimitar a responsabilização pessoal, restringindo-a a casos de dolo ou erro grosseiro, o que fortalece a segurança jurídica. 

PAINEL 3 - “CONSENSUALISMO E CONTROLE EXTERNO: AS VERTENTES DE ATUAÇÃO DOS TRIBUNAIS DE CONTAS” 

05 mpc baNicola Khoury, Cristina Machado, Marcílio Barenco e Danilo Andrade. Foto: ASCOM | TCE-BA.

Exposição: Marcílio Barenco 

Barenco apresentou uma reflexão crítica sobre o uso do processo estrutural, apontando o equívoco de enquadrar problemas individuais em estruturais, o que pode comprometer a efetividade das respostas institucionais. 

 

“O grande erro é tentar transformar processos individuais em estruturais. Isso é uma derrapagem. Não adianta dar aparência de solução estrutural a algo que continua sendo tratado de forma pontual”, criticou. 

 

O Presidente da Ampcon defendeu que o enfrentamento de problemas estruturais exige planejamento, participação de múltiplos atores e acompanhamento contínuo. “Sem isso, o que temos são arranjos pontuais com aparência de solução estrutural”, disse, ao destacar que a efetividade do controle depende da capacidade de atuar sobre as causas, e não apenas sobre os efeitos. 

A análise dialoga com sua produção acadêmica, especialmente a obra “Processo estrutural comparado”, da qual é um dos organizadores e autor de capítulo, em que sistematiza fundamentos e experiências aplicadas a conflitos de natureza complexa. A exposição também se conecta à obra “Termo de Ajustamento de Gestão: instrumento de composição no controle das despesas públicas”, ao tratar da incorporação de mecanismos consensuais, como o TAG, que reposicionam os Tribunais de Contas como instâncias de construção de soluções viáveis e monitoráveis.

No plano normativo, Barenco mencionou o Projeto de Lei nº 3/2025, que busca disciplinar o processo estrutural no Brasil, destacando sua base em técnicas dialógicas e colaborativas. O tema também foi debatido no primeiro painel do seminário, com a participação do professor Edilson Vitorelli, integrante da comissão de juristas responsável pela elaboração do anteprojeto, evidenciando a convergência entre formulação teórica e aplicação institucional no campo do controle externo. 

Ao final, Barenco destacou o papel dos Tribunais de Contas e dos Ministérios Públicos de Contas na condução de soluções dessa natureza, com potencial de gerar resultados mais efetivos na implementação de direitos fundamentais.

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