O encontro visou promover o aperfeiçoamento das instituições de controle e a construção de políticas públicas que tenham como centro o bem-estar das pessoas
O Presidente da Associação Nacional do Ministério Público de Contas, Marcílio Barenco, palestrou no dia 5 de março no VII Congresso Internacional de Controle Público e Luta Contra a Corrupção, realizado em Granada, na Espanha. Na oportunidade, ele dividiu a mesa “Salvaguardas da Independência, Cultura Ética nas Fiscalizações e Cidadania” com o Procurador do MPTCU Sergio Ricardo Costa Caribé.
Autoridades presentes no evento. Foto: Acervo pessoal.
Fruto de cooperação acadêmica entre a Fundación General de la Universidad de Salamanca e o Instituto Rui Barbosa (IRB), o evento reuniu autoridades e especialistas do Brasil, Espanha, Argentina e Angola para debater o papel das instituições de controle no fortalecimento dos direitos fundamentais.
O Presidente da Ampcon e Procurador-Geral do MPC-MG, Marcílio Barenco, com integrantes da mesa. Acervo pessoal.
O tema da palestra do Presidente da Ampcon, Marcílio Barenco, foi "A Dignidade Humana no Processo Estrutural Comparado", em que explorou como o controle externo pode atuar de forma estratégica na resolução de litígios complexos e na efetivação de políticas públicas estruturantes. Por sua vez, o Procurador do MPTCU Sergio Caribé abordou o tema “Acessibilidade como Valor de Cidadania em Órgãos de Controle”.
Marcílio Barenco recebe o certificado de palestrante.
Glaydson Santo Soprani Massaria, Procurador do MPC-MG, falou no dia 3 de março sobre “Algoritmo e Controle”, no âmbito da mesa “Inovação Tecnológica, Transparência Algorítmica e Controle Social”.
Glaydson Massaria durante sua palestra.
Glaydson Massaria recebe certificado de palestrante.
Compareceram ao evento, ainda, a Procuradora-Geral do MPC-SC, Cibelly Farias, as Procuradoras do MPC-MG Elke Moura e Sara Meinberg; o Procurador do MPTCU Júlio Marcelo de Oliveira, e o Procurador do MPC-SC Diogo Ringenberg.
Sara Meinberg, recebe certificado de participação.
Elke Moura, recebe certificado de participação.
“A dignidade humana no processo estrutural comparado”
Em sua palestra, Marcílio Barenco analisou o papel dos processos estruturais na salvaguarda de direitos fundamentais e no aperfeiçoamento de políticas públicas. Ao traçar um panorama no Direito Comparado, citou decisões paradigmáticas da jurisprudência estadunidense que consolidaram o modelo de structural litigation, concebido para enfrentar violações sistêmicas de direitos e promover transformações institucionais duradouras.
Diferentemente dos litígios tradicionais – centrados em conflitos determinados e soluções pontuais –, os processos estruturais enfrentam problemas públicos complexos que envolvem múltiplos atores institucionais e exigem medidas progressivas de implementação, monitoramento e avaliação. Barenco explicitou que, nesses casos, o provimento jurisdicional assume caráter prospectivo e estruturante, voltado à reorganização de práticas administrativas e à superação de falhas estruturais em políticas públicas.
O Presidente da Ampcon também ponderou sobre os desafios e riscos associados à adoção desse modelo, especialmente no que se refere à legitimidade das intervenções institucionais em políticas públicas e à preservação do equilíbrio entre os Poderes. Defendeu que o diálogo interinstitucional, a participação social e o aporte de conhecimento técnico são os pilares que asseguram a efetividade e a legitimidade das soluções estruturais.
Como exemplo de aplicação desse paradigma no Brasil, mencionando precedentes do Supremo Tribunal Federal em temas sensíveis, como a crise do sistema prisional, em 2015, e a proteção de povos indígenas durante a pandemia de covid-19, em 2020.
Em relação à atuação dos órgãos de controle, Barenco considera que os Tribunais de Contas ocupam posição estratégica para lidar com problemas complexos, dadas a sua expertise técnica e capacidade de monitoramento de longo prazo. Por sua vez, salientou o papel do Ministério Público de Contas na defesa da ordem jurídica e dos interesses sociais, por dispor de instrumentos como representações, auditorias operacionais, recomendações e acordos institucionais para impulsionar transformações estruturais.
Ao encerrar a exposição, frisou que o processo estrutural constitui ferramenta para promoção da dignidade humana, capaz de viabilizar respostas institucionais abrangentes diante de problemas públicos complexos e assegurar a concretização real dos direitos fundamentais.